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Uso
de terra crua como alternativa construtiva para habitações.
Caracterização
do Problema
Alguns fatores representativos de nossa época: linhas de
transmissão elétricas, sistemas de ar condicionado e frotas de
caminhões que percorrem longas distâncias, seduzem arquitetos e
construtores desviando-os da essência do regionalismo e interferindo
na cultura construtiva local. Ainda assim, estes fatores permitem que
uma arquitetura padronizada e inadequada consiga se sobrepor. Em
comunidades onde materiais de construção manufaturados não são
encontrados, a terra crua se mostra como matéria prima que permite a
construção de abrigos cuja qualidade atende largamente aos usuários.
Nos países industrializados, a terra crua foi suplantada por novos
materiais de construção, muitos deles produzidos por meio de
processos de manufatura altamente sofisticados, demandadores de
energia e poluidores. Muitos destes materiais trazem consigo complicações
técnicas, regionais e de conforto ambiental imprevisíveis. Como
resultado, verifica-se um agravamento da crise de energia e a ameaça
ao meio ambiente. A volta do uso da terra
crua, convertida em paredes e consequentemente em habitação,
pode minimizar estes
problemas. O outro desafio é a busca de uma habitação de baixo
custo e de boa qualidade, tanto do ponto de vista físico-estrutural
como do conforto ambiental, o que implica em pesquisas de como
proceder a substituição ou mesmo a compatibilidade deste material
aos outros materiais de construção.
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volta
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Justificativa
Valendo-se da construção em taipa (compactação de terra)
com solos adequadamente selecionados, uma edificação pode durar vários
anos como testemunham alguns sítios arqueológicos. Em virtude do déficit
de moradias para populações menos favorecidas
(nordeste e interior brasileiro), estas se utilizam da
construção em taipa para amenizar este problema, construindo de
forma precária e sem o devido cuidado técnico, o que acaba por
estigmatiza-la como uma técnica de construção ligada a pobreza e
disseminação de doenças (doença de Chagas). Apesar do
preconceito em relação à construção com terra crua, esta técnica
é capaz de criar ambientes extremamente eficientes em termos de
energia, que praticamente eliminam a manutenção externa e que não
agridem o meio ambiente. Devido a sua força de tensão
relativamente baixa, as paredes de terra são construídas em
espessura maior que 30 centímetros, o que aumenta a sua inércia térmica
podendo resultar em menos desconforto térmico, tanto nas estações
frias, quanto nas quentes. Usando a terra crua disponível no local,
para construir as paredes, em vez de depender de materiais
importados e/ou manufaturados, o componente energético incorporado
à estrutura sofre uma redução significativa. A incorporação
energética baixa traduz-se em reduções na poluição da água e
do ar pela diminuição do processo industrial, despesas com
transportes da fabrica à obra, desgastes dos mananciais, e nas
principais despesas associadas à construção e operação de edifícios
manufaturados. Com a difusão de habitações construídas com
materiais duráveis a base de terra são identificáveis as
seguintes vantagens:
A
durabilidade leva à diminuição da manutenção;
Há
uma redução da demanda de pintura e de outros acabamentos
exteriores;
Há
eliminação da necessidade de reconstrução da moradia por uma ou
mais gerações;
ao
término do ciclo de vida útil da edificação, a terra como
material de construção é totalmente reciclável, resultando em um
uso menos agressivo dos recursos naturais. |
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